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Caio Cezar

Olá amigos de todo Brasil. Agradeço os emails que tenho recebido dos amantes do rádio assim como eu. Valeu! Estamos de volta com mais uma entrevista aqui no site Tudo Rádio, que sempre traz as novidades sobre o mundo do rádio em todo país. Entrevistas de profissionais, colunas, informações e ibopes são o grande destaque por aqui. Hoje atravessamos o oceano e vamos até Portugal conversar com um brasileiro que tem feito bonito por lá. É da nova geração, muito conhecido por aqui, mas que vem desbravando novos horizontes. Nosso papo de rádio é com Caio Cezar da 94 FM de Portugal, rapaz do interior que conta entre outras coisas, suas aventuras profissionais no rádio aqui no Brasil e também agora no exterior. Vale a pena conferir no Entrevistas.

T- Olá Caio. Quero te agradecer por ter nos recebido e dando início a nossa conversa, nos conte como começou a sua carreira no rádio.
C-Oi Tuba, eu que ti agradeço pelo convite aqui para o Tudo Rádio. Valeu mesmo! Vamos lá então! Era uma vez um menino de 5 anos de idade que viajou de São Paulo para Peruíbe no litoral de São Paulo. Foi quando ele recebeu de presente do pai, um rádio de pulso AM que se chamava Dunga I da marca Motoradio. O menino de nome Caio Cezar viu nascer ali, a sua grande paixão pelo rádio. E foi assim que tudo começou. Várias tentativas de construção de rádio em casa, montagem de antena, a compra de discos, cassetes, entre outras experiências radiofônicas de criança, feitas em casa, foi quando em 1996 a história passou a ser real com a abertura de uma rádio comunitária em Peruíbe, a Juréia FM que operava na frequência de 102.1FM.


T-Você paralelamente tinha outra atividade e onde nasceu?
C-Uma vez que comecei a trabalhar em rádio com os meus 15 anos, antes disso estudava e trabalhava em part-time na pizzaria que o meu avô gerenciava, como embalador de pizza viagem e copeiro. Nasci em São Paulo na Bela Vista, Maternidade Filomena Matarazzo em fevereiro de 1981.

T-Teve alguma pessoa envolvida com rádio na família?
C-Sim, meu pai e o meu tio!

T-Quem você achava bacana ficar ouvindo?
C-Na verdade naquela época eu gostava muito de ouvir rádio AM e achava fascinante o modo de comunicação deles. Eu gostava de ouvir o trabalho de muitos locutores, mas destaco no AM: Antônio Freitas, Roberto Müller, Zé Betio, Eli Correa e Paulo Barbosa. No FM; Julinho Mazzei, Paulinho Ribeiro, Gilson Dutra e Marcelo Braga.

T-Já sei. Eles acabaram sendo os seus inspiradores então?
C-Na verdade me inspiraram sim. E principalmente me deram muita força e coragem para seguir no rádio. Foram a minha fonte de inspiração, mas não a minha linha de trabalho.

T-Você lembra do primeiro cara a te dar uma oportunidade?
C-Posso dizer que foram dois, Sérgio e Celso Vernizzi, filhos do Narciso Vernizzi que era o Homem do Tempo da Rádio Jovem Pan.

T-Caramba, que interessante! Hoje o Sérgio Vernizzi trabalha aqui na Sete Colinas AM – Uberaba/MG (afiliada Jovem Pan Sat) com a gente. Muito bacana! Me conte um pouco da sua trajetória no exterior. Por onde foram suas andanças.
C-Opa. Mande lembranças, então! Acho que ele vai se lembrar de mim apesar de já fazer muito tempo. Que coincidência! Puxa vidaaa! Então, em novembro de 2001, surgiu a oportunidade de fazer parte da Rádio Cidade com estúdio em Lisboa e a transmitir para toda a Portugal. Em 2003 surgiu nova oportunidade de trabalhar em uma rádio portuguesa em Boston – MA a WJFD FM. Aceitei e lá estive um ano. Em 2004 fui convidado para fazer parte da Rádio 94 FM em Leiria/ Cadaval – Portugal e me mantenho até hoje como Voz Off e Produtor Executivo Artístico da emissora.

T-Há diferença entre as “escolas” européias e brasileiras de rádio?
C-Sim, há muita diferença mesmo entre a forma de fazer rádio no Brasil e a forma de fazer rádio em Portugal e em outros países da Europa. O Brasil segue muito o modelo norte-americano de fazer rádio, só que “com o tempero brasileiro” que fica melhor ainda. No Brasil se trabalha muito em cima das promoções, boa produção artística, a luta pela conquista de novos ouvintes por minuto, de uma nova música que acaba de sair, etc… Em Portugal a rádio ainda é muito afastada do ouvinte, há muitas leis para cumprir, há formas de falar, há uma percentagem por hora de música portuguesa que é obrigada a passar, a forma de locução tem que ser bem comunicada. A produção artística de rádio em Portugal é ainda muito simples, não há muito perfeccionismo. Já as rádios de outros países da Europa, como por exemplo na França e na Espanha, a forma de comunicar já é um pouco mais Up, pra cima! Na Inglaterra encontramos um pouco de tudo, mas de uma forma geral as rádios são bem conservadoras em Londres, tudo num molde muito certinho e Portugal segue bastante o modelo da Inglaterra. Não há muito aquela enxurrada de promoções/prémios que é no Brasil. Eles dão mais importância ao conteúdo rádio! Como notícias, mundo dos famosos, esporte, etc… Na Itália também dão muita importância ao conteúdo rádio. Hoje em Portugal, já há algumas rádios (poucas) que estão começando a seguir o modelo americano de fazer rádio só que com o ” tempero Português “. A 94FM sempre se destacou e sempre se manteve líder de audiência na sua cobertura Centro e Oeste do Pais, segundo estudos da Markest (Ibope), por ser muito inovadora, diferente com boa informação e por ter um padrão de produção que nenhuma outra rádio no país tem. Tudo tem a ver com a cultura de cada país e as rádios seguem o padrão nacional de onde estão a transmitir, daí as grandes diferenças. Claro que o peso da criatividade tem muita importância, por isso aqui em Portugal a 94 sempre esteve á frente.

T-Sua voz tem sido muito usada para a plástica de muitas rádios aqui no Brasil, não é?
C-Sim, felizmente os trabalhos de cezaronline.com o meu site, tem crescido muito não só no Brasil como também em outros países como Portugal, Bolívia, Nicarágua, Boston…, mas no Brasil há muitos coordenadores de rádio que confiam no meu trabalho e os estudos de audiência falam por si.

T-Quem de brasileiro tem mandado bem por ai, além de você?
C-Aqui em Portugal tem profissionais brasileiros que fizeram um bom trabalho. Lembro do Beto Camurça que coordenou a equipe de locutores da Rádio Cidade no final dos anos 90 início da década de 2000. Gilberto Filho, locutor, assumia as noites da Rádio Cidade na mesma época com o programa By Night. Hoje não sei onde estão. Quando a Rádio Cidade de Lisboa em 2003 terminou com locução/produção brasileira e virou Cidade FM, muitos profissionais deixaram o país. Atualmente, o Marcel Alex, produtor e DJ, assume até hoje a coordenação artística da Rádio 935 em Braga. César Casanova, locutor da Rádio Record FM em Lisboa. Esses são os profissionais que ainda estão no mercado radiofônico em Portugal.

T-Quais rádios você trabalhou aqui no Brasil?
C-Juréia 102.1 – Litoral SP – 98 FM Litoral SP – Metropolitana FM 98.5 – SP


T-Na sua opinião a rádio digital vai vingar mesmo por aqui? E ai?
C-Pelo que eu acompanho e troco informações com colegas de rádio aí no Brasil, parece que as coisas estão meias congeladas sobre a entrada do rádio digital no Brasil. Aqui em Portugal acredito que vai demorar, a crise se instalou e quem mais sofre são os meios de comunicação. A camada mais jovem conhece, quem gere empresas tem medo de arriscar e os proprietários não querem investir. Acredito que dentro de 5 anos talvez seja possível. Quem sabe?

T-Qual foi a sua maior alegria e maior tristeza no rádio?
C-Alegria foi quando comecei em rádio na capital paulista. A tristeza é que na minha primeira semana de trabalho, peguei uma grave estomatite e fiquei uma semana parado e com medo de perder o emprego. Agradeço até hoje ao Renato Leitão (ex-coordenador da Metropolitana FM) por ter segurado as pontas. Valeu Negãoo!

T-Como pintou o projeto de trabalhar no exterior e aí na 94 FM?
C-Há um ditado português que diz: “Quem não arrisca, não petisca”. Tinha meus 20 anos, estava cheio de vontade de enfrentar novos desafios, arriscar em diferentes experiências de rádio. Tive conhecimento que em Portugal na Rádio Cidade estavam fazendo casting, enviei meu piloto e fui convidado para fazer locução, produção de chamadas, vinhetas e ser o Voz Off da emissora. Arrisquei mudar, mudei de rádio, mudei de país e depois de trabalhar na Rádio Cidade em Lisboa viajei para Boston/EUA, foi aí que me convidaram novamente para voltar para Portugal para ser o coordenador de produção executiva da Rádio 94, onde estou até hoje.

T-Foram os irmãos Braga – hoje na Mix – que começaram essa epopéia de brasileiros em rádios lusitanas?
C-Sim. Isso mesmo.

T-Trabalhar em emissoras das grandes capitais, você acha que é a cereja do bolo de todo profissional? E no exterior?
C-Não é bem a cereja, é mais o chantilly, é a decoração do bolo, os olhos também “comem”, e quanto mais bem decorado for o bolo, mais apetitoso se torna. Assim é o mundo, inclusive o mundo do rádio. Qualquer profissional que consiga trabalhar numa grande capital consegue mostrar o seu verdadeiro profissionalismo. É numa grande capital que há grandes desafios e é onde todos temos que dar o nosso melhor. É também nas grandes capitais que estão os maiores investidores de marketing e é lá onde procuram as vozes para os seus produtos. O trabalho numa grande capital é sempre a vitrine de exposição de qualquer profissional de rádio. É aqui que se luta todos os dias e só sobrevivem, os que nasceram para fazer rádio. É assim, não só no Brasil, no mundo inteiro. Felizmente, nos dias que correm, uma das principais vitrines é a Web, e poderemos estar em todo o mundo, não só nas grandes capitais, como em todo o globo. Mesmo nos dias de hoje, ainda vale a pena?

T-Quando se tem um sonho, se acredita, se quer, vale sempre a pena. Você ainda pensa em voltar para o Brasil?
C-Sim e não. Dependendo da proposta, quem sabe!

T-Perdemos um ídolo pop mundial que foi Michael Jackson. Como foi a repercussão de sua morte aí em Portugal? Já tinha tocado algum som dele antes e qual música dele você mais curte?
C-Morreu o Rei do Pop. A sua música ficará para sempre. Michael Jackson era amado nos quatro cantos do mundo. Nunca a morte de ninguém foi tão badalada. Aqui na Rádio 94 foi feita uma homenagem desde a sua morte até ao dia do funeral. Em Lisboa foram feitos encontros de fãs, realizadas festas privadas em sua homenagem, programas de TV e edições especiais na MTV. Acredito que á semelhança do que foi feito em todo o mundo. Michael Jackson marcou uma época, uma geração, um estilo de dança, era muito arrojado para o seu tempo e ao comemorar os 25 anos do álbum Thriller, os temas cantados pelos novos nomes da música, vieram mostrar que ele sempre esteve muito á frente e que já nos anos 80, trabalhava o que nós hoje chamamos de black music. Toquei muitos temas de Michael Jackson e acreditem que sempre irei tocar. Tenho a discografia completa dele. Os meus temas preferidos são Human Nature e Dont Stop Till You Get Enough.

T-Seus vídeos no You Tube, tem sido um aprendizado para os mais novos, sabia? Muita gente que conheço, acha o máximo seu trabalho. Aproveite então e mande um salve, uma dica para os iniciantes na carreira.
C-Que legal, Tuba! Olha, recebo muitos comentários e fico muito feliz por isso. Digo a todos os que estão começando, que não desistam do vosso sonho. Quanto maiores são as dificuldades a vencer, maior será a glória. Hoje é mais um dia de luta que amanhã será enfrentado com um belo sorriso. Lute pelo que quer, acredite no seu valor, confie e não desista, nunca.

T-Já fez ou anda fazendo trabalhos pra TV? Pensa em algum dia?
C-Trabalho de imagem ainda não, mas trabalhos de Voz Off, sim. Faço vários, para TV Record Portugal, Angola e Moçambique. Se algum dia surgir o convite para ser apresentador, tô nessa.

T-Gostaria que seus filhos seguissem também na carreira?
C-É cedo para responder, não tenho filhos ainda. Mas quando tiver, ficarei feliz com a escolha que fizerem. Se for rádio, ótimo.

T-Caio, quero te agradecer pelo bate-papo, foi muito bacana mesmo. Valeu! Gente, esse foi Caioooo Cezar!
C-(Risos) Valeu pelo convite Tubaraum. Quando você me convidou, fiquei pensando que a sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade. Fiquei muito feliz pela oportunidade de poder falar um pouquinho de mim e da minha carreira aqui no Tudo Rádio. Valeu mesmo! Espero que tenha sido claro nas minhas respostas. Qualquer dúvida, podem entrar em contato comigo, pelo site cezaronline.com. Pra toda a equipe, um grande abraço. Continuem fazendo esse excelente trabalho. Parabéns a todos!


Bate-Bola Rápido Eu sou: Caio Cezar
Mas poderia ser: Optimus Prime (Transformers – The Movie)
94 FM: Mais Música! The Number One Hit Music Station
Um microfone: AKG Solid Tube
Um fone: Sony MDR 7506
Uma Voz: agora, para sua escolha: cezaronline.com
Enter X Cartucheira: tecle o enter e delete a cartucheira
Kaká X Cristiano Ronaldo: 65 milhões x 94 milhões
Time do coração: CFAGV (Clube dos Fanáticos Apreciadores de Gastronomia e Vinho)
Amor: sempre no coração
Música especial: trilhas e efeitos para produção
Um arrependimento: N/A
Uma grande lembrança: o meu primeiro dia no ar
Uma grande satisfação: o reconhecimento do meu trabalho
Um sonho: que todos os meus desejos sejam realizados! Sou grato a: acordar e fazer o que mais amo: rádio e voz-off Mais amigos ou colegas: muitos bons colegas e verdadeiros amigos, mas poucos, eles sabem quem são
Caio versus Cezar: o Imperador Cezar


Por Rodrigo Viriatto – 14/setembro/2009 tubaraum.loc@hotmail.com

Rodrigo Viriatto, conhecido no meio como Tubaraum. Onze anos como locutor, profissional formado. Atualmente está na Sete Colinas FM mas já teve passagens por algumas rádios de Uberaba e região: Nova, Cidade, 89, América, Terra, SuperSom, Difusora, Band Sat entre outras. Atualmente desenvolve trabalhos como AudioBooker e em breve dublagens. Tem 31 anos de idade e é mineiro de Itaúna.

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