Jornalistas criticam foco das universidades na formação para o mercado

Para jornalistas reunidos no II Congresso de Jornalismo Cultural, o foco das universidades nas técnicas para o mercado pode ser um erro. Os profissionais enfatizaram a importância da prática, mas defenderam que os cursos de Jornalismo devem ensinar mais a pensar do que a fazer.
“A formação para o mercado pode ser uma armadilha. Muitas vezes, ao se ensinar a técnica, não se ensina a pensar”, afirmou Carlos Costa, coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.
O coordenador de Jornalismo da PUC-SP, Urbano Nobre Nosoja, acha válido o investimento das empresas em treinamentos internos, mas diz que a universidade não precisa ter esse foco. “É importante as empresas se definirem, criarem cursos específicos, mas nós não podemos nos ater a isso, nos orientar por um veículo, porque nos formamos para trabalhar para a sociedade”, defendeu.
Para José Luiz Proença, coordenador de jornalismo da ECA-USP, os cursos das empresas jornalísticas não representam uma ameaça para as universidades. “Esses cursos acabaram sendo entendidos como uma grande interferência nas faculdades. E essa é uma visão completamente errada”.
De acordo com Ana Estela de Sousa Pinto, editora do programa de treinamento da Folha de S. Paulo, as faculdades pecam na formação cultural, e ainda não cumprem como deveriam o ensino de técnicas da área. “O principal problema dos cursos de Jornalismo é que são muito longos e não se definem, ocupam um tempo que poderia ser usado na formação cultural, e gastam pouco tempo mostrando como selecionar, apurar e transmitir conteúdo. É triste ver estudantes de jornalismo que não sabem escrever um texto sem erro gramatical”, pontuou.
O coordenador de jornalismo da Universidade Metodista, Rodolfo Carlos Martino, explicou que, para atender essa necessidade da profissão e o domínio de várias linguagens, a universidade passa por uma reformulação, com a integração dos laboratórios/Redações. “Estamos fazendo laboratórios multimídia, um mesmo espaço para o rádio, o estúdio de TV, a agência de notícias, o jornal, mas são mudanças que têm gerado grandes polêmicas”, contou.
DiplomaTodos os jornalistas reunidos ressaltaram a validade da formação específica para a profissão, mas muitos deles não consideram obrigatório. Edward Pimenta, coordenador do Curso Abril de Jornalismo, vê o diploma como algo positivo, mas não aprova a exigência. “Com a queda da obrigatoriedade do diploma, nós fizemos uma alteração no ingresso do curso Abril. Agora qualquer estudante recém-formado pode se candidatar. Não somos contra o diploma, muito pelo contrário, mas somos contra a obrigatoriedade do dele. 90% dos estudantes que chegam ao curso Abril são das grandes faculdades”.
O coordenador de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero enxerga a formação como uma vantagem. “A formação específica é uma vantagem para ser jornalista. E eu não tenho dúvida que a regulamentação da profissão voltará”. Carlos Costa também completou que o momento é “ótimo para repensar” o que os jornalistas vieram “fazer no mundo”.
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