Falando de cinema: “Histórias Cruzadas”

O filme consegue retratar fielmente a década de 60 no Mississipi, onde nesta época vivia-se uma segregação racial, e onde há uma personagem central “Skeeter” que por um grande apego a sua baba, que misteriosamente desaparece, resolve então começar um livro para fazer a diferença no mundo, mesmo que isto te custe suas amizades e o amor de Stuart.

Neste filme o iniciante Tate Taylor surpreende com um olhar singelo em cima de todos os acontecimentos narrados, conduzindo o espectador numa viagem bonita e pitoresca por meio de planos abertos, ilustrando a beleza bucólica de uma cidade que habita no clássico ditado “as aparências enganam”.

A direção de fotografia de Stephen Goldblat se torna impecável em diversos momentos, principalmente os momentos de lembranças das conversas de Skeeter com sua baba Constantine, onde por mais que estejam envoltas pela copa de uma bela arvore, ainda se pode ver a luz do dia que fornece um ar angelical a cena.

Curt Beech compõe cenários simples, dotados de significados onde cada personagem é extraído ao máximo, longe de ser um filme racista, é um belo retrato, mesmo que suavizado da crueldade humana, sustentado por falsos ideiais e egoísmo voraz, que acabam por ser suplantados pelo desejo singular da esperança.

Este é um filme de mulheres, o que o torna ainda mais interessante, pois a década de 60 é uma década de transição onde começam finalmente a ter espaço, cursar universidade, trabalhar, se destacar não só como esposa e mãe – dona de casa, onde na maioria das vezes seus filhos e casas eram cuidados pelas “amas negras”.

Neste filme podemos ver bons personagens, bom texto, boas fotografias, boas cenas, um casamento perfeito nesta película. A produção tem diversos pontos gloriosos na interpretação dos atores, no roteiro, nos figurinos; o filme consegue equilibrar o bom humor e o drama.

Pessoalmente acho que a grande sacada do filme é dar voz a quem antes não era ouvido, é curioso o fato de como a direção deixa claro que Skeeter só entra nessa aventura quando vê que sua mãe esta definhando num câncer, seu irmão casou, sua turma de amigas estão casadas e com filhos e com isso no meio de sua solidão percebe que a roda da vida esta girando errada e atrasada.

O filme é bem acabado, a direção privilegia as interpretações feitas que contam também com uma envolvente trilha sonora.

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