COMUNICANDO: Mercado de música católica em expansão

Pe. Marcelo Rossi
Hoje, os padres Marcelo Rossi (foto) e Fábio de Melo são as joias da coroa da Sony Music, que também tem 15 artistas em seu selo de música cristã. “Sem dúvida, o Padre Marcelo Rossi tem números impressionantes. O Padre Fábio de Melo também se destaca como um grande vendedor de CDs, até pelo fato do repertório dele, no último trabalho, seguir uma proposta popular sertaneja, não diretamente religiosa”, comenta o diretor gospel da Sony Music Brasil, Maurício Soares.
Outras majors também entraram na disputa pelos ouvintes cristãos. Antes da Sony, era a Som Livre a gravadora do Padre Marcelo Rossi – recordista absoluto, com 12 milhões de cópias vendidas em sua carreira. Ela perdeu essa estrela, mas mantém no casting os padres Robson e Reginaldo Manzotti, além da Pastora Ludmila Ferber. Uma amostra de que a música religiosa, antes restrita a produções quase independentes, lançadas por gravadoras especializadas, agora é uma das principais apostas das majors.
As gravadoras seculares perceberam que esse nicho sofre bem menos com a pirataria. “O público que consome esse tipo de produto segue conceitos cristãos inegociáveis e torna-se até incoerente consumir produtos piratas pela natureza das mensagens ali contidas”, defende Maurício Soares.
Missão
Adriana Arydes
Há também a ideia difundida do consumidor como colaborador de uma missão evangelizadora. “A relação com o artista é diferente, ele (consumidor) quer comprar o CD para ajudá-lo e ajudar o ministério a continuar seu trabalho”, diz Alexandre Santos, assessor de imprensa da Codimuc.
A Codimuc foi fundada, em 1990, por Eraldo Mattos, como um pequeno estúdio para reproduzir palestras da Canção Nova. Mas logo estava envolvido em outra atividade: a produção de música católica, inclusive a feita por leigos. A primeira banda a gravar nesse esquema foi a Cristoatividade. Não demorou muito e outros artistas começaram a procurar a Codimuc, que se transformou em uma cooperativa para melhorar a distribuição e comercialização.
A gravadora é um celeiro que tem em seu casting atual dez artistas, possíveis futuras estrelas da música católica. Foi de lá que saíram nomes como Adriana Arydes (foto) e Rosa de Saron, um dos atuais investimentos da poderosa Som Livre. Setores dentro da igreja não veem com bons olhos empresas seculares dentro do mercado de música religiosa, mas Santos acredita que a entrada das majors é positiva, ao ampliar o raio de alcance das canções.
“Do ponto de vista da evangelização, a mensagem chega a mais pessoas, inclusive fora das igrejas. Além disso, à medida que os antigos artistas de mais sucesso migram para as grandes gravadoras, abre-se espaço para os novos”, explica. Para Santos, a chegada do grande público ao mercado consumidor de música católica não afeta a relação estreita mantida com os fieis que frequentam as igrejas.
Mudar para crescer
Irmã Kelly Patrícia
A crescente especialização das pequenas gravadoras e a entrada das majors também forçaram melhorias na qualidade das composições e no aspecto técnico das gravações.
Com onze CDs lançados e dois DVDs, Irmã Kelly Patrícia (foto), freira cearense que desponta nesse cenário, começou recentemente suas aulas de canto. Ela admite que sua preocupação não se resume ao conteúdo da mensagem, mas também à técnica. “Para Deus, temos que fazer o melhor”, justifica a religiosa.
Irmã Kelly Patrícia é exemplo de outra mudança dentro dos padrões da música católica. Visualmente, nenhuma surpresa: uma freira, com hábito, véu e óculos de grau. A música, porém, é um pop rock, com direito a solos de guitarra, que podem fazer torcer o nariz dos mais conservadores. A intenção é a evangelização da juventude, por meio de canções de apelo pop e letras que falam sobre ânsias e esperanças típicas dessa idade.
Deste modo, renova-se o público. Hoje, segundo Marcelo Soares, da Sony Music, este é um segmento amplamente democrático. Mas ainda mantém algumas características predominantes. “Talvez haja uma pequena prevalência do público feminino, classe C, entre 20 e 50 anos, mas há uma enorme representatividade em todas as camadas da população, de norte a sul do País”, opina.
A diversificação de estilos levou as gravadoras a incluir, em seus catálogos, ao lado dos tradicionais cânticos e orações, bandas de axé, pagode, rock em diversas vertentes e eletrônico. Surgem nomes que remetem o ouvinte a outros grupos, seculares, como acontece com o OraSamba ou a ExaltaCristo, e até o heavy metal, antes tido como “coisa do demônio”, é reabilitado.
Tribo Maranata
A Tribo Maranata (foto) , formada em Belo Horizonte, é uma banda pouco convencional. Os mineiros tocam axé baiano. Mais: axé baiano e católico. “Graças a Deus o preconceito some quando as pessoas conhecem de verdade nosso trabalho, observando a maturidade musical que atingimos ao longo de três discos, e percebem nosso verdadeiro objetivo, que é levar a palavra de Deus através da música”, conta o vocalista Léo Morais.
Composto por músicos formados pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais), o grupo começou tocando reggae e rock. A intenção já era a mesma: louvar de maneira diferente atraindo os jovens. Um amigo percussionista apresentou o ritmo baiano. “O axé nos permite aproximar desse público e agradá-los sem deixar de lado o nosso objetivo de adoração a Deus”.
“A diversidade aumenta a possibilidade de um maior número de pessoas se identificar com a música”, acredita Rogério Feltrin, baixista da Rosa de Saron. Com mais de 20 anos de carreira, a banda surgida em Campinas, no interior de São Paulo, mantém um público amplo, mas os fãs mais fieis são aqueles entre 15 e 25 anos. Com um trabalho prioritariamente autoral, mas que abre espaços para covers de U2 – “With or Without You”, por exemplo – a Rosa de Saron consegue atrair até mesmo públicos menos interessados na religião e mais no rock. (ML)
Fonte: MCC
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