COMUNICANDO: O que esperar do social media em 2016?

Para a propaganda, os últimos anos foram marcados pela queda do “Muro de Berlim” que separava o online do offline. Agora, assim como no fim da Guerra Fria, o mercado tenta encontrar a melhor maneira de integrá-los em uma só linha de comunicação.

É neste cenário que um campo ainda novo mostra um potencial gigante. As redes sociais já foram subestimadas, mas com a crise econômica as marcas passam a explorar novas possibilidades, tendo as plataformas online como uma saída mais viável  e de grande poder de interação com o consumidor. Por essas e outras, o ano de 2016 promete ser um divisor de águas para o segmento de social media.

Confira abaixo alguns dos principais pontos da área a serem discutidos e trabalhados por agências e clientes neste ano.

Profissionalização da área

Ao longo dos próximos meses espera-se mais investimento e, consequentemente, uma solidificação do social media.  Para Marcos Giovanella, ex-diretor de marketing da Prefeitura de Curitiba, a famosa “Prefs”, agências devem ficar atentas à profissionalização do setor, apostando em bons parceiros para fazer com que a estratégia seja bem desenvolvida e renda o melhor e maior ROI possível. “Nos países de economia mais avançada já estamos vendo uma migração de verbas publicitárias para a internet, no Brasil não é diferente. É por isso que nesse ano precisamos profissionalizar ao máximo nossas ações e investir em bons parceiros para criação de estratégia e conteúdo digital”, afirma.

O processo de amadurecimento desse mercado não deve acontecer de forma simples. É o que afirma Rafael Martins, idealizador do Share. “Existem dois pilares bem críticos a se aperfeiçoar no setor; um deles é o conhecimento técnico e o outro o conhecimento de negócio. Muitas vezes temos muitos profissionais tecnicamente preparados, mas que não entendem de negócio, de venda, negociação e compra”, lembra.

Não à toa, os especialistas apertam a tecla da profissionalização. Só no último ano, diversos cases apontaram uma deficiência quando o assunto é integração entre marca e consumidor. “Há clássicos casos de despreparo não só da própria marca como também dos profissionais encarregados de cuidar de sua imagem nas redes sociais. Pensando em como hoje o trabalho deve valorizar o real time, comunicação instantânea e as verdades de uma marca, fica evidente que todo cliente deve entender que precisa profissionalizar ainda mais sua ação nas mídias sociais”, afirmou André Pedroso, VP de Criação da Momentum.

Marcos Giovanella foi responsável pela popularização da Prefeitura de Curitiba no Facebook

Os deslizes acontecem em grande número, principalmente em um campo onde a ideia é ousar, experimentar. A saída está na forma como a marca lida com seus erros. Giovanella ressalta a importância do SAC 2.0. “Marcas que trabalham bem o seu serviço de atendimento via canais digitais conseguem melhores relacionamentos com seus seguidores. As pessoas perdoam quando as empresa admitem que cometeram erros, então dar ouvidos para os fãs ainda é um grande desafio”.

Mas por que solidificar a área é um grande desafio? Certamente, ainda falta um amadurecimento dos clientes e até mesmo das agências para entender a importância da integração do digital na estratégia de comunicação das marcas. “Quanto antes marcas e agências se ligarem que toda a estratégia online deve estar interligada, melhor vai ser a resposta dos consumidores”, ressalta Giovanella.

Para Rafael Martins, este é o ano do omnichannel. “O papo do on e off já morreu, ai vem a necessidade de pensar tudo macro. Muitas empresas ainda têm resistência para este modelo, mas fatalmente terão que se adaptar. Acho que o que mais vamos ver este ano é essa convergência de todos os canais e ações com foco real no cliente, independente da rede ou mídia”.

Rafael Martins é o idealizador do Share, um dos principais eventos de comunicação do país

O impacto da crise para o Social Media

Quando a crise bate na porta é o momento de encontrar outra saída. E é nesse momento que o social media ganha título de protagonista. É o que conta Flavio Martino, sócio da Giacometti Rio. “A crise empurra agências e anunciantes para novos caminhos. Acredito que muitas empresas, por conta de redução de verba, terão que ser mais criativas e envolver mais seu consumidor. Um caminho natural é abandonar o tradicional Outbound Marketing e seguir Inbound Marketing, que custa menos, consegue mais conversão, engajamento, experiência e tem um ROI fantástico”, afirma.

Nem sempre o conceito de internet como uma saída barata é positivo para as agências, pelo menos é isso que defende o idealizador do Share, Rafael Martins. Para ele, mesmo no segmento de social media é preciso profissionais qualificados, e isso requer um bom investimento. “Aquela famosa impressão que ’internet é de graça’ está morrendo, por isso, sem investimento não se tem muito resultado. Acho que o ano de crise, que tanto se fala, nos faz ter a necessidade de sermos mais criativos, de fazer mais com menos, mas o investimento sempre precisará existir, afinal movimentamos muito a economia através deste setor”.

Ousadia é uma das palavras-chave para o ex-diretor de marketing da “Prefs”, Marcos Giovanella. “Quem estiver preparado para entregar estratégias diferenciadas para seus clientes terá um grande ano. As agências precisam aprender a entrar no mundo dos clientes, pensar mais no negócio e em ideias que gerem valor para as marcas. Os clientes precisam ousar mais, se permitir um pouco mais e apostar mais em inovações, dessa forma o trabalho pode ser realmente feito a quatro mãos e render melhores frutos”, ressalta.

Tendências para 2016

É unânime: os vídeos tem tudo para satisfazer a necessidade dos usuários de consumir conteúdos de forma cada vez mais instantânea. Nesse quesito, Rafael Martins acredita que plataformas como Snap Chat e Periscope surgem como promissoras em detrimento de outras redes sociais. “Os dois são canais onde a verdade e a instantaneidade é valorizada. O que mostra um excelente caminho para as marcas entenderem definitivamente o que o consumidor busca”.

Segundo Marcos Giovanella, o conteúdo em vídeo é a grande tendência de 2016. “O mobile e a melhoria da qualidade da internet para dispositivos móveis torna mais fácil a disseminação desse tipo de conteúdo. É cada vez mais comum recebermos e compartilharmos vídeos por WhatsApp”.

André Pedroso VP de Criação da agência Momentum

Falando em WhatsApp, o crescimento de aplicativos de mensagem instantânea deve ser acompanhando de perto pelo mercado. “Será algo que vai crescer muito este ano e ele acompanha grandes desafios para o mercado, seja para os anunciantes, sobre como encaixar mídia nisso, seja para as marcas, que precisam pensar em como podem entrar nessa conversa de forma criativa e não invasiva”, destaca Rafael.

Além das novidades no universo digital, grandes acontecimentos offline também podem reservar ótimos momentos para o social media. Segundo André Pedroso, depois da Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos devem mostrar a evolução das marcas em interação durante o evento. “Teremos um enorme trabalho pela frente. É o ano onde quem fizer bem feito vai poder estabelecer definitivamente o trabalho em mídias sociais como essencial para a construção de uma marca”.

Entre erros e acertos, o social media entra em 2016 com o pé na porta. Cabe ao mercado estar consciente quanto ao impacto que os acontecimentos no mundo instantâneo da internet podem causar.

Por Luana Scalla

Fonte Adnews

 

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